25 de julho de 2009

Varrer o lixo para debaixo do tapete

Nos últimos dias as obras intensificaram-se, de que maneira, no Largo do Cardal.
Foram feitas de dia e de noite. De noite, por uma questão de logística, pois se fossem feitas de dia era um caos absoluto.
Percebe-se aquelas obras. Havia necessidade de estarem prontas para serem inauguradas no primeiro dia (oficial) das Festas do Bodo.
Fez-se um corredor ribeirinho, uma passagem pedonal, beneficiou-se outras, arrancou-se e recolocou-se calçada miúda à antiga portuguesa, asfaltou-se alguns metros de estrada, pintou-se sinalização rodoviária, enfim... um ver se te avias.
Na minha modesta opinião, varreu-se o lixo para debaixo do tapete.
O Largo do Cardal ficou mais bonito, sem dúvida. E o resto?
Ali mesmo ao lado, o Largo 5 de Outubro (vulgo largo do pelourinho) degradado. Mais um pouco ao lado, a Rua António Marechal António Spínola degradada (as obras não foram tão rápidas). A Rua 31 de Janeiro degradada (onde vai passar a procissão solene de domingo). Para já não falar na zona dos Vinagres/Governos, e do Barco.
Arranjos urbanísticos, mas não tantos.

Vamos lá (re)começar

Muitos afazeres profissionais me têm impedido de actualizar este espaço.
Vamos lá, então, arranjar tempo para (re)começar.
Até já!

3 de maio de 2009

O Menino de Ouro

Depois de ter sido dirigente concelhio e distrital da JSD, numa altura em que brilhou como presidente de uma associação de estudantes de Coimbra (onde tal brilho o ofuscou tendo deixado marcas ainda hoje recordadas por quem por lá também passou), sentou-se numa secretária da Câmara Municipal de Pombal durante alguns meses para criar uma empresa municipal à sua medida.
Não sei se antes ou depois, mas integrou a Assembleia de Freguesia da sua terra (Redinha), tendo renunciado ao mandato na sequência de divergências com o presidente da Junta, que agora (tem o sonho) quer substituir. 
Tal empresa municipal começou com muitas ideias. Explorar a Quinta de Santana e gerir o Expocentro, foram algumas das iniciais, que não viriam a ter sucesso.
Logo reparou que o sucesso estava num Café Concerto. Uma espécie de organização de concertos num ambiente de café ("pub" como se costuma designar). Ali, nos meandros da noite viu o seu protagonismo a elevar-se. Num confronto directo com o pelouro da Cultura e abrindo uma concorrência com o mercado local. 
Junta amigos à volta das mesas e proporciona-lhes uma noite de convívio e de confraternização, com música ao vivo e muitas miúdas giras à volta. Ah! E abre as portas ao público em geral, cobrando-lhes um bilhete de entrada.
Veste roupa de marca. Tem o cabelo à Marquês. Ostenta calças de ganga rasgadas, sapatos brilhantes com assinatura de Miguel Vieira. T-shirts exibindo "De Puta Madre 69". Não sei se fuma cachimbo ou se passeia cachorros pelos jardins, mas convive com eles de perto. E vai-se movimentando na "noite".
Em 2005 brilhou quando lhe deram "luz verde" para recrutar artistas de arromba para as Festas do Bodo. Era ano de eleições e era preciso encher a cidade oferecendo aos eleitores do melhor que há. Tony Carreira e Daniel Mercury foram os cabeças de cartaz. Foram as festas mais caras de sempre. Não interessa. O povo não olha a contas, quer é festa.
Continuou a brilhar na empresa que criou à sua medida. Nos concertos do seu café. 
Eis que chega mais uma oportunidade para brilhar. Encheu o Expocentro de uma feira destinada a casamentos e noivas. Reservou um espaço para uma festa VIP. Cheia de pessoas importantes do país. Um desfile de moda como nunca visto na terra. À grande e à francesa. 
Não perdeu tempo. Aproveitou o nome do evento e adaptou-o como designação de uma nova empresa. Desta vez, não municipal, mas privada. Embora os objectivos se confundam. 
Continuou a brilhar. Muito. A ter protagonismo. Muito.
Até que convenceu tudo e todos para que organizasse o Bodo 2008. Só ele. Em exclusivo. Mais um grupo de amigos voluntários que o ajudaram. Por amor à camisola. Por amizade. 
Pensou em grande e em grande fez. O tal Bodo tradicional e religioso passou para segundo plano. Não brilha. Mas brilhou no Estádio Municipal. Até de madrugada. Durante todos aqueles dias. Grandes noites. Grande festa. Em grande.
Antes de começar já havia problemas. Com a vedação no Bairro da Agorreta. Com a cobrança de bilhetes para quem quisesse dar umas voltas nos carroceis.
A praga de gafanhotos ficou esquecida. Ou melhor tentou apagá-la. Mentalidades medíocres aquelas que continuam a pensar o Bodo com festas seculares e tradicionais. Nada disso. O Bodo é rock (in) Arunca. 
Como era preciso esclarecer sobre os custos. Eis que em poucos dias foram apresentados números. Receitas para aqui, despesas para acolá. A folha em Excel revela que tudo ficou equilibrado. Não deu resultado igual, mas a diferença era mínima para aquilo que foi feito. Uma maravilha. Elogios. Muitos elogios.
Tudo o que fez, fez com que metesse a mão no Santo Amaro. Não era um Bodo, mas também era preciso inovar. Brilhar. Deu uma ajuda. Parece que deixou marcas. Para esquecer. Passou a ser um verdadeiro agente de espectáculos. Um "promotions manager" da zona. 
Também o foi (por poucos dias) numa discoteca privada. O padrinho foi à festa e não gostou do que viu. Obrigou-o a deixar de o ser.
Quase em simultâneo quis vender uma passagem de ano de luxo a realizar numa quinta histórica. Através da empresa. A privada. Não o conseguiu fazer. Ali os dinheiros eram privados. 
Chegámos à altura de apresentar as contas da empresa criada à sua medida. A Municipal. Afinal nada é igual ao que tinha servido de base aos elogios. O rombo é grande. O padrinho zanga-se publicamente. Passou de bestial a besta. Dias depois de ter lançado a edição Bodo 2009. Com pompa e circunstância. Com amigos. Muitos. Com festa. À grande.
Não poderia ser do pior em ano de eleições. O partido debate a questão. Toma posse política dela. Define estratégia de abafo. De remedeio. Discussão acesa. Durante horas. Até de madrugada. 
O Menino de Ouro não muda de opinião. Tudo a bem de Pombal. Nunca se falou tanto em Bodo. Um Bodo farto. Tinha que haver despesas. Muitas. 
Mas que "De puta madre" é esta?!
Viva Pombal. 

Desgraça, tragédia, horror (II)

Já uma pessoa não pode ir ali tomar um café e a vida na nossa terra dá voltas e voltas.
Vamos ver se tenho tempo e pachorra para ir analisando alguns dos factos ocorridos.
Pouco a pouco vou tentar pôr a agenda em dia.
Até já.

25 de março de 2009

Assalto de Albergaria dos Doze

O homem forte de Albergaria dos Doze está a protagonizar um assalto ao poder de várias instituições de Pombal. 
Manuel Rodrigues Marques é vice-presidente da Secção de Pombal do PSD; presidente da Junta de Freguesia de Albergaria dos Doze (com assento na Assembleia Municipal); presidente da Direcção da Associação de Industriais do Concelho de Pombal; entre outros cargos que não conheço, mas que também deve ter participação, como é o caso do Arcuda (grupo de Desportivo de Albergaria dos Doze), Centro Social S. Pedro (também de Albergaria)...
Mais recentemente tomou posse da Direcção da Rádio Clube de Pombal e agora prepara-se para presidir à Associação dos Bombeiros Voluntários de Pombal. 
Como é que o senhor Engenheiro Narciso Mota vê o facto deste homem tomar conta de tanta coisa, algumas delas em parceria com o Vereador Diogo Mateus. 

12 de março de 2009

Desgraça, tragédia, horror

A notícia caiu como uma bomba em Pombal, embora não ficasse surpreendido. O Dr Rui Mourato Miranda aceitou ser o candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal de Castelo de Vide. Um concelho onde viveu a sua juventude/adolescência, e onde regularmente vai visitar os familiares. 
Para mim não foi surpresa. O homem tem o direito a sonhar e a tentar concretizar os seus sonhos. Como também não me surpreendia se fosse candidato pelo Partido Social Democrata.
Em Pombal, Rui Miranda foi um alto responsável/dirigente do Partido Socialista. Ao tornar-se militante do partido é porque concordou com as suas ideologias, as suas linhas orientadoras e princípios.
A dado momento entendeu que não era bem assim. Deixou de aceitar as linhas orientadoras do partido e bateu com a porta. Primeiro, enquanto Vereador da Câmara deixou de aceitar representar o partido e as suas políticas. Depois entregou o cartão de militante. 
Pelo que sei por várias vezes que Rui Miranda tece comentários sobre a actuação dos dirigentes do partido e até do próprio Governo. É discordante. É crítico. 
Creio que em Portugal só existe um Partido Socialista. Independentemente de estar dividido em direcção nacional, direcções distritais e direcções concelhias. Ora, se Rui Miranda entendeu que não era mais militante do partido, é porque não concorda com as suas ideologias, linhas orientadoras e princípios. Quer esteja em Pombal, em Lisboa, no Porto ou em Castelo de Vide.
Não conheço a realidade daquele concelho alentejano. Mas penso que houve um erro de casting ao escolhê-lo como candidato à presidência de uma Câmara, num concelho onde nem sequer é eleitor. Mais cedo ou mais tarde isso vai revelar-se.
Por outro lado, do ponto de vista pessoal ou profissional, o que acontecerá a Rui Miranda. Caso seja eleito presidente da Câmara (o que sinceramente duvido), terá tudo facilitado. Transfere-se para Castelo de Vide e ali instalará a sua residência.
Se for eleito vereador? Continuará a residir em Pombal, a trabalhar em Monte Redondo e vai uma vez por semana ou uma vez por quinzena participar nas reuniões de Câmara? Ou transfere-se para lá e ocupará um lugar num qualquer estabelecimento de ensino do Grupo GPS na região?
A ver vamos.

3 de março de 2009

Culturas e culturas

O Museu de História Natural está a promover uma exposição sobre o dinossáurio achado nos Andrés (Santiago de Litém). O tal achado arqueológico com alguns anos e que tem interesse para a investigação nacional e internacional. Um achado que deveria ser aproveitado, bastante mesmo, para projectar o nome do Concelho de Pombal. Mas não.
Enquanto a Câmara Municipal de Pombal não tiver sensibilidade para as questões culturais, vamos assistindo a passar ao nosso lado algumas oportunidades.
Senão vejamos.
Para além do «dinossáurio dos Andrés», temos um valioso espólio de achados arqueológicos (como é o caso das freguesias da Redinha [Cidade Roda] e Vermoil), um Marquês de Pombal (onde está o tão falado Centro de Estudos Pombalinos?), para além de outras situações, como também as Oliveiras Milenares de Pousadas Vedras (a morrerem de dia para dia). Para não falar também dos tão prometidos museus João de Barros e da Resina.
Estaremos a perder algumas verbas que o QREN nos poderia proporcionar?
Sabendo que a Associação de Defesa do Património Cultural de Pombal está inactiva, a Câmara Municipal já diligenciou no sentido de a fazer regressar a tempos de outrora? Ou não há interesse em tê-la como parceiro de algumas iniciativas?
O que tem feito o pelouro da Cultura nestas áreas?
Presumo que a resposta é feita com o apoio concedido (subsídios financeiros) às diversas colectividades/associações culturais do Concelho. Até mesmo àquelas que não têm, ou têm uma reduzida, actividade. É que esse tipo de política cultural dá votos. É populista, pois então.

Eleições à vista

A Câmara Municipal de Pombal vai (re)iniciar, na sexta-feira, o périplo pelas freguesias do Concelho. Diz que é para «conhecer as obras realizadas e projectadas, bem como aferir as necessidades mais prementes de cada freguesia».
Para quem se diz tão competente e conhecedor da realidade do Concelho, esta foi a melhor razão escolhida para justificar aquele acto de pré-campanha eleitoral. Alguém tem dúvidas que não é esse o objectivo? Se bem me lembro, foi no final do anterior mandato que os presidentes das juntas de freguesia aproveitaram aquelas visitas para anunciarem as suas recandidaturas. O caso mais evidente até foi na freguesia das Meirinhas, onde o então presidente da Junta (Américo Ferreira) disse que não se recandidatava mas lá estava o candidato já preparado para se mostrar.
Desta vez, as visitas até incluem inaugurações. Incluída na visita está programada a inauguração da Biblioteca Escolar de Almagreira. O convite é conjunto da Câmara Municipal, Junta de Freguesia e Conselho Executivo do Agrupamento Marquês de Pombal, mas só ostenta a assinatura do senhor presidente da Câmara.

2 de março de 2009

Estratégias

Já por diversas vezes que o senhor Presidente da Câmara de Pombal argumenta a construção do novo empreendimento comercial (GO!Shopping) no Casarelo com o Plano Estratégico para a Cidade de Pombal e com o Plano Director Municipal.
Quanto ao Plano Director Municipal (PDM) está tudo dito. O respectivo regulamento proíbe a implantação de grandes superfícies comerciais na área urbana. Por isso, aquele empreendimento viola o PDM. Sendo confirmado pela própria Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.
Já quanto ao Plano Estratégico para a Cidade de Pombal não sei mas irei consultá-lo. No entanto, penso que é o último documento que o Eng. Narciso Mota deverá evocar, já que o mesmo nunca foi seguido pelo Executivo. Foi elaborado, custou milhares de contos ao Município, mas nunca foi cumprido. E estou a lembrar-me, por exemplo, das "Portas da Cidade".
Duvido que o mesmo documento contemple qualquer indicação sobre a implantação de uma superfície comercial na zona que, no momento de elaboração do dito Plano Estratégico o Casarelo era considerado uma zona de expansão da própria cidade, tendo sido elaborado para o efeito um Plano de Pormenor (que também custo milhares de contos) que nunca foi publicado, e por isso considerado sem efeito.

Indo eu, indo eu...

Tanto se fala sobre a Rede de Transportes Urbanos na cidade de Pombal, os tão famigerados "PomBus".
Obviamente que a medida é de saudar. E penso que reúne consenso entre as duas principais forças partidárias (PSD e PS). Bem como é saudada pela população que aderiu sem reservas à rede de transportes.
Contudo, gostaria de deixar algumas observações para reflexão.
Os transportes estão a funcionar há mais de um mês gratuitamente. Para tal, o Município adquiriu quatro mini-autocarros e admitiu oito motoristas (penso que não estarei enganado).
Foi dito que os tais "PomBus" iriam funcionar gratuitamente por duas principais razões: testes de horários e circuitos; e para que as pessoas criassem um hábito com vista à sua utilização. Nada mais correcto.
Mas até quando esta situação?
O balanço está a ser feito baseado no número de pessoas que utilizam os "PomBus". E aí não resta dúvidas. Pelo menos a Linha Azul circula com lotação esgotada muitas das vezes.
Mas tenho dúvidas que assim continue quando for a pagar, tendo em conta a quantidade de pessoas (sobretudo estudantes e aposentados) que passam os seus dias a "dar voltas" de mini-autocarro.
Quanto a balanço, gostaria de ter uma ideia dos custos já suportados pelo Município, quanto a vencimentos dos motoristas, gasóleo, manutenção, etc...
É que, parece-me que estamos a aproveitar a referida fase de "testes" para implantar uma medida populista em ano de eleições. Até porque já por aí se diz que os transportes serão gratuitos até final do ano.