3 de maio de 2009

O Menino de Ouro

Depois de ter sido dirigente concelhio e distrital da JSD, numa altura em que brilhou como presidente de uma associação de estudantes de Coimbra (onde tal brilho o ofuscou tendo deixado marcas ainda hoje recordadas por quem por lá também passou), sentou-se numa secretária da Câmara Municipal de Pombal durante alguns meses para criar uma empresa municipal à sua medida.
Não sei se antes ou depois, mas integrou a Assembleia de Freguesia da sua terra (Redinha), tendo renunciado ao mandato na sequência de divergências com o presidente da Junta, que agora (tem o sonho) quer substituir. 
Tal empresa municipal começou com muitas ideias. Explorar a Quinta de Santana e gerir o Expocentro, foram algumas das iniciais, que não viriam a ter sucesso.
Logo reparou que o sucesso estava num Café Concerto. Uma espécie de organização de concertos num ambiente de café ("pub" como se costuma designar). Ali, nos meandros da noite viu o seu protagonismo a elevar-se. Num confronto directo com o pelouro da Cultura e abrindo uma concorrência com o mercado local. 
Junta amigos à volta das mesas e proporciona-lhes uma noite de convívio e de confraternização, com música ao vivo e muitas miúdas giras à volta. Ah! E abre as portas ao público em geral, cobrando-lhes um bilhete de entrada.
Veste roupa de marca. Tem o cabelo à Marquês. Ostenta calças de ganga rasgadas, sapatos brilhantes com assinatura de Miguel Vieira. T-shirts exibindo "De Puta Madre 69". Não sei se fuma cachimbo ou se passeia cachorros pelos jardins, mas convive com eles de perto. E vai-se movimentando na "noite".
Em 2005 brilhou quando lhe deram "luz verde" para recrutar artistas de arromba para as Festas do Bodo. Era ano de eleições e era preciso encher a cidade oferecendo aos eleitores do melhor que há. Tony Carreira e Daniel Mercury foram os cabeças de cartaz. Foram as festas mais caras de sempre. Não interessa. O povo não olha a contas, quer é festa.
Continuou a brilhar na empresa que criou à sua medida. Nos concertos do seu café. 
Eis que chega mais uma oportunidade para brilhar. Encheu o Expocentro de uma feira destinada a casamentos e noivas. Reservou um espaço para uma festa VIP. Cheia de pessoas importantes do país. Um desfile de moda como nunca visto na terra. À grande e à francesa. 
Não perdeu tempo. Aproveitou o nome do evento e adaptou-o como designação de uma nova empresa. Desta vez, não municipal, mas privada. Embora os objectivos se confundam. 
Continuou a brilhar. Muito. A ter protagonismo. Muito.
Até que convenceu tudo e todos para que organizasse o Bodo 2008. Só ele. Em exclusivo. Mais um grupo de amigos voluntários que o ajudaram. Por amor à camisola. Por amizade. 
Pensou em grande e em grande fez. O tal Bodo tradicional e religioso passou para segundo plano. Não brilha. Mas brilhou no Estádio Municipal. Até de madrugada. Durante todos aqueles dias. Grandes noites. Grande festa. Em grande.
Antes de começar já havia problemas. Com a vedação no Bairro da Agorreta. Com a cobrança de bilhetes para quem quisesse dar umas voltas nos carroceis.
A praga de gafanhotos ficou esquecida. Ou melhor tentou apagá-la. Mentalidades medíocres aquelas que continuam a pensar o Bodo com festas seculares e tradicionais. Nada disso. O Bodo é rock (in) Arunca. 
Como era preciso esclarecer sobre os custos. Eis que em poucos dias foram apresentados números. Receitas para aqui, despesas para acolá. A folha em Excel revela que tudo ficou equilibrado. Não deu resultado igual, mas a diferença era mínima para aquilo que foi feito. Uma maravilha. Elogios. Muitos elogios.
Tudo o que fez, fez com que metesse a mão no Santo Amaro. Não era um Bodo, mas também era preciso inovar. Brilhar. Deu uma ajuda. Parece que deixou marcas. Para esquecer. Passou a ser um verdadeiro agente de espectáculos. Um "promotions manager" da zona. 
Também o foi (por poucos dias) numa discoteca privada. O padrinho foi à festa e não gostou do que viu. Obrigou-o a deixar de o ser.
Quase em simultâneo quis vender uma passagem de ano de luxo a realizar numa quinta histórica. Através da empresa. A privada. Não o conseguiu fazer. Ali os dinheiros eram privados. 
Chegámos à altura de apresentar as contas da empresa criada à sua medida. A Municipal. Afinal nada é igual ao que tinha servido de base aos elogios. O rombo é grande. O padrinho zanga-se publicamente. Passou de bestial a besta. Dias depois de ter lançado a edição Bodo 2009. Com pompa e circunstância. Com amigos. Muitos. Com festa. À grande.
Não poderia ser do pior em ano de eleições. O partido debate a questão. Toma posse política dela. Define estratégia de abafo. De remedeio. Discussão acesa. Durante horas. Até de madrugada. 
O Menino de Ouro não muda de opinião. Tudo a bem de Pombal. Nunca se falou tanto em Bodo. Um Bodo farto. Tinha que haver despesas. Muitas. 
Mas que "De puta madre" é esta?!
Viva Pombal. 

Desgraça, tragédia, horror (II)

Já uma pessoa não pode ir ali tomar um café e a vida na nossa terra dá voltas e voltas.
Vamos ver se tenho tempo e pachorra para ir analisando alguns dos factos ocorridos.
Pouco a pouco vou tentar pôr a agenda em dia.
Até já.